O BLOG DA MINHA IMAGINAÇÃO

AQUI ESTÃO OS CONTOS E CRÔNICAS QUE PENSO E ESCREVO!

"Já devem ter falado isso, mas tudo começou quando eu nasci.
Nasci num campo lindo, cheio de grama, devia estar na estação da primavera, a única estação que consegui ver…
Meu dono, um velho fazendeiro, teve de se mudar para a cidade grande.
É claro que ele levou todos os meus irmãos, e eu, é claro…
Nós estávamos num caminhão, no meio da estrada, eu não me lembro direito, mas no meio da estrada, eu e meus irmãos estavamos numa caixa, no banco da frente, nossa mãe estava junto de nós, mas não dentro da caixa. As únicas coisas que eu lembro daquela noite foi, um barulho enorme, uma luz e os choros dos meus irmãos. E então, fiquei cega.
Eu não sabia onde estava, não sabia nem o que sentir, medo por nao saber onde estava ou tristeza por saber que minha família não me respondia.
Tudo estava claro, você não está lendo errado não, ninguem disse que o cego não encherga escuro, bom… se alguém disse não sabe de mim, acho que a luz me traumatizou, e só consigo ver isso, uma tela branca.
Sempre que eu escutava alguma coisa, eu ouvia: ‘Que coisa fofa esse filhote!’ ou coisa do gênero.
Pela primeira vez, desde que fiquei cega, fui pega no colo.
-Pronto, coisinha, pronto, está tudo bem…
Era a voz de uma mulher, parecia que tinha uns 50 anos só pela voz…
Senti tanto carinho que até esqueci que era ega, já conseguia até ‘ver’ como ela era, é claro que não parei de ser cega, eu só conseguia ver que era uma senhora de idade que queria demonstrar carinho à algumém.
Ela ficou conversando com uma pessoa, mas eu não conseguia ouvir a voz respondendo, ela devia estar no telefone. Ela falou que tinha uma linda cadelinha e que poderia dar a ele.
Mas quem era ele? Do que ela estava falando? Ela não me queria mais?
Estava muito nervosa…
Ela me colocou num tipo de caixa, mas desta vez não estava aberta a tampa, e nem tinha como saber se estava ou não aberta!!
Enfim, cai no sono dentro da minha mini prisão por uma punição que não entendia.
Finalmente, acordei, a caixa estava sendo aberta, pelo menos dava para ouvir que era isso que estava acontecendo.
Então me veio um cheiro meio que caseiro, nunca tinha sentido aquele cheiro antes, la na fazenda nem reparei no cheiro, mas na casa da minha antiga dona, tinha um cheiro meio desagradável, o cheiro dessa casa em que tinha parado era diferente, um cheiro de casa nova, recém contruida.
Passou-se um tempo, fiquei perseguindo o meu novo dono, parecia uma criança, talvez até fosse. Eu perseguia ele com o cheiro de lavanda que talvez poderia estar na roupa dele. Então não conseguia seguir mais ele, nem me preocupei, fui num lugar que tinha um cheiro bom… Comi num pote uma coisa que parecia uns grãozinhos, devia ser ração, mesmo.
Depois que acordei, escutei uma porta se abrir, devia ser a do meu novo dono, fui até ele, passou um tempo e não senti mais o cheiro dele, ele não estava na residencia, devia ter saido, mas senti um outro cheiro, o de produto de limpeza, fiquei deitada, pois não gostei tanto daquele cheiro, parecia que veio junto com cheiro de amargura…
Senti um empurrãozinho, então ouvi um barulho de porta se fechando, novamente, devia ter sido tirada de casa, mas não me preocupei, talvez o meu novo dono me procuraria de novo. Senti a grama embaixo de mim, que sensação boa! Deviam ter limpado naquele local!
Depois a porta se abriu, esperei o dono vir até mim, mas não ouvi nada, só senti outro empurrãozinho, tinha azulejos a baixo de mim novamente, senti o cheiro de lavanda. Meu dono voltou, fui correndo para ele, já que ele não viria até mim.
Ele me ensinou um truque, mas não entendi direito, mas era assim:
Ele falava ‘Girtrude’, eu sentava, e ele me premiava.

Tudo começou quando minha vida era irritante, ou seja, tudo começou quando eu nasci.
Quando tinha cinco anos, já virei ajudante de faxineira, a minha mãe era uma.
Meu pai vivia na prisão… Não tinha nada de bom para poder viver.
Quando fiz 18 anos, fiquei com inveja de não poder me formar, tive que trabalhar de empregada pro resto da minha vida, meu marido, Egbert, me consolava, ele era muito romantico, isso me fez continuar com a vida…
Quando tinha 49 anos, Egbert morreu de câncer, e nos deixou sozinhos (eu e meu filho, Hernesto)…
Recebi um convite para um emprego, cuidar de uma casa num condominio. A portaria do condominio era perto de um ponto de ônibus, e a casa era perto da portaria… Aceitei.
Cheguei na casa e vi, um garoto que me olhava com cara de anjo, mas eu já tive experiencias com crianças, especialmente com o Hernesto, mas os filhos dos meus patrões sempre foram uns anjos quando os pais ficavam em casa, mas quando saiam…
E ninguém merecia, o garoto ganhou um CACHORRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas eu fui "obrigada" a ficar com o trabalho, aliás me pagavam bem…
Dei um dia, a criança percebeu que eu não gostava dele, então nem mexeu comigo.
No dia seguinte, o garoto foi na escola, só ficou eu e o cachorro.
Ele era MUITO irritante! Me seguia toda hora! Um dos problemas ainda, era que ele era cego! Não dava pra entender! Eu ja vi cão guiar cego, mas nunca uma pessoa guiar um cão cego!
Então tranquei-o no quintal, estava me atrapalhando de mais!
Achei que iria ficar chorando, mas, não, ele ficou dormindo na porta, isto me deu aquela pena; ele não sabia que estava preso, pensava que estava livre.
Escutei a porta da frente abrir, era o garoto! Abri a porta do quintal pro cachorro sair correndo pro dono, mas o cachorro nem quis se mexer! Dei um chute de leve na porta, o cahorro acordou, com seus olhos claríssimos, e sair correndo pro dono.
A criança era mesmo um doce! Não dava pra compará-lo aos meninos dos meus ex-patrões… Ele era bem educado, mas o que mais me comoveu, foi usar o meu nome como um truque pro cachorro, ele dizia o meu nome e o cachorro sentava.

 

"Tudo começou quando a minha vida era tranquila, claro que todo mundo me achava relaxado, teria que melhorar na escola (principalmente em MATEMÁTICA), mas era tranquila.
Meu pai recebeu uma tranferência e eu iria ficar num condomínio mais luxuoso do que eu já morava.
Achei muito legal essa idéia, já que todos os amigos que eu tinha, tinha os MSNs deles.
Então tivemos que despedir a empregada, pois era um lugar muito longe e não dava para ela ir para casa. Minha mãe achou que eu estava deprimido por mudar de casa de novo, mas eu falei que não, ela não parecia que acreditou, não.
Cheguei lá na nova casa, era LINDÍSSIMA! A nova empregada não parecia que ia com minha cara, mas tirando isso, adorei tudo!
A minha mãe ficou me olhando com uma cara de pena, como se eu não fosse ter amigos de novo ou coisa parecida.
Então, no dia seguinte, ela falou:
- Filho, olha o que eu comprei para você!
Abri a caixa que estava cheia de furos, e vi, o mais lindo Husky que ja vi na vida! Ele estava com uma fitinha alaranjada, as os olhos eram claro, claro até de mais, percebi que ele não estava olhando para mim, mas o focinho parecia, e estava abanando o rabo! Ele era cego.
MInha mãe falo que era fêmea, fiquei pensando em algum nome, mas não veio nenhum em mente.
Ela só ficava me seguindo! Eu ia para lá, e ela me seguia, eu ia para cá, e me seguia também, a noite tentei fugir dela, para ver o que acontecia, fiquei no meu novo quarto e fechei a porta. Eu pensava que ela iria estar chorando, mas não.
No dia seguinte, abri a porta e percebi que ela tinha pego o tapete, arrastado ele até ao lado da porta (Não na frente! Ao lado!) e ficou durmindo, percebi que ela, no meio da noite, tinha ido à cozinha para comer um pouco (um pouco nada, comeu quase tudo da tigela de ração para filhotes), ela olhou para mim e abanou o rabo.
Neste dia, lembrei que era segunda feira, então teria que deixar a filhote de Husky com a empregada, pois meu pai não foi tranferido para não trabalhar e minha mãe foi ao novo consultório.
Fui para a nova escola, então, fiz um amigo, ele se chamava Hernesto, não tinha muito assunto, ele tentou me ajudar a dar nomes para a cadelinha, mas ele dava cada nome esquisito! Por exemplo: Girtrude!
Voltei para casa, a filhote veio correndo para mim, (devia ter escutado o barulho da porta) mas de um jeito desengonsado, jeito de filhote.
A noite, minha mãe e meu pai voltaram, eu falei "oi" e voltei para brincar mais com a cadelinha, a empregada parecia mais legal. Minha mãe perguntou a ela:
-Lavou todas as louças?
-Sim.
-Fez as camas?
-Fiz.
-Fe…
-Fiz.
-Fe´fiz! - Falei.
-O que disse, querido?
-O nome dela: Fe´fiz!
Para quem não sabe, o nome se pronuncia "féfiz", só que quis o acento separado da letra.
Eu ensinei a Fe´fiz que quando eu chamar ela, é para ela vir.
Ensinei também uns truques, só que só com o comando verbal, eu falava palavras esquisitas só para ninguém saber o que ela tem que fazer. Tipo: Girtrude, e ela sentava.

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