Cinco Dias Antes do Fim do Mundo
18 de outubro de 2008

"Acordei o mais cedo que pude para aproveitar minha vida, ou o que sobrara dela.
Eu tive um sonho que minha ex-namorada me olhou, pegou minha mão e fomos voando para o espaço, quando eu vejo uma mão sobre a Terra e uma luz vindo dela. Então vejo um novo planeta… As criaturas pareciam primitivas, é claro, só que pareciam pacificas. Certeza eu teria pena delas por serem tão ‘obsoletas’, mas, não, eu até tive vontade de fazer parte delas, o que era, para eu, impossivel acontecer.
Eu percebi, quando acordei, que o mundo estava cada vez mais avançado, porém, cada vez mais cheio de guerras.
Para alguns, parece que a violência nunca chegará a sua vida, mas, sempre, de uma forma, chega. Nem que seja por uma discussão, ou, até mesmo, um pensamento rude.
Fui para a rua. Eu acho que até o Saara era mais animado que aquela visão. As únicas pessoas que estavam na rua eram bebados atordoados, deitados no meio da rua.
Uma visão mais triste que aquilo foi um corpo que achei perto do parquinho das crianças de uma escola. O corpo estava esquartejado e parecia que foi por causa do gira-gira, que estava cheio de sangue. Só não sei quem foi a pessoa tão cruel a fazer tal ato.
Fui à casa de um amigo e o convidei para conversar um pouco:
-Está maluco? - respondeu ele. - O mundo vai acabar!
-Só por isso você não quer viver essa semana? Eu acho que o que tira a vida não é a morte, mas é a vontade de não viver, que é o que você está fazendo. Se continuar assim, você já está morto antes do desastre.
Ele pareceu reflexivo com o meu argumento, e fui-me embora.
Tentei a mesma coisa com outro amigo. E ele falou a mesma coisa. E dei o mesmo argumento. E eu fiquei muito chateado com esses meus amigos que não queriam mais viver. Cada vez que falei a mesma coisa, fiquei me sentindo cada vez pior.
Chegando a noite, começou a dar um temporal, então fui para a casa, a pé, pois o carro, roubaram.
Cheguei encharcado, e liguei a TV. Lá falaram sobre o corpo esquartejado, sobre o aumento nos alcoolatras, drogados e terroristas…
Desliguei a TV quando começou a falar das tragédias.
Fui para o computador. Dei um ‘oi’ para a minha galera virtual e começamos a conversar. Até parecia que na Internet, ninguém mudava mesmo falando sobre a tragedia.
Dei um espirro muito forte e fui para a cama após ter desligado o computador.
E faltavam quatro dias até o fim inevitável.

